E se uma empresa lançasse um satÉlite sem permissão de posição orbital?

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Recebi um questionamento dia desses que era mais ou menos assim:

“Se uma empresa com poderio economico suficiente resolvesse colocar em órbita um satÉlite sem ter a devida permissão para atuar naquela posição orbital o que aconteceria, os paÁ­ses mais ricos dariam uma maneira de derrubar o satÉlite dela numa missão tipo Guerra nas Estrelas?”

Para colocar um satÉlite em órbita É necessário que se tenha permissão para um slot orbital, que É a popular posição orbital.

A responsíel pelas posições orbitais É a ITU, International Telecommunication Union, uma agência das Nações Unidas que atribiu as posições orbitais e eletromagnÉticas em todo o mundo.

Quando alguÉm resolve comprar um satÉlite a primeira permissão que se deve obter É a permissão de posição orbital, emitida pela ITU.

As permissões são liberadas com a seguinte lógica, o primeiro que chegar será o primeiro a ser servido.

Parece uma coisa muito arbitrária? No entanto não É tão fácil assim conseguir a permissão orbital já que o satÉlite deve mesmo estar em efetiva fase de produção para conseguir a posição orbital, não há como prender a posição orbital pois isto se tornaria uma grave problema diplomático entre as nações que necessitam daquelas determinadas posições orbitais.

As posições para a AmÉrica Latina estão efetivamente ocupadas, no entanto, a indÁºstria privada de lançamentos de satÉlites comerciais continua a produzir e precisar de novas posições orbitais para suprir a grande demanda de satÉlites na região.

Por exemplo, Venezuela e Colômbia não tem atualmente direito a nenhuma posição orbital sobre seus respectivos paÁ­ses. A Venezuela usa uma posição orbital emprestada do uruguai e a Colômbia está negociando uma posição orbital. A BolÁ­via quer espaço em uma posição orbital que a ITU declará como superlotada.

Todos estes paÁ­ses agem pressionados por empresas privadas de seus paÁ­ses que estão custeando a construção de satÉlites sem nem mesmo terem conseguido a permissão para uma posição orbital, devido a alta demanda por um espaço no cÉu.

E qual É o maior risco que o lançamento de satÉlites não autorizados oferece?

A colisão deste satÉlite e foguetes lançadores com outros objetos já presentes no espaço.

De acordo com a Convenção de Responsabilidade do Espaço, quando um objeto É lançado de um território e alcança a orbita, este paÁ­s se torna responsíel pela reparação do dano causado pelo seu objeto no espaço, na superfÁ­cie da terra ou em uma aeronave em voo.

Mesmo se o lançamento for particular, o governo É responsíel por danos causados por qualquer objeto lançado que colide em outro ou provoca danos por meio de interrupção em outros satÉlites.

Isto talvez explique por que os governos tratem o assunto tão seriamente e administram com firmeza as posições orbitais em vez de desafiar a norma atravÉs do lançamento de um satÉlite sem os direitos para a posição orbital.

Sim, por que lançar um satÉlite não É uma tarefa simples e nem que se consiga esconder, para o lançamento de um satÉlite É necessário a construção de uma base de lançamento, que É um empreendimento nada discreto.

AlÉm disto o lançamento de um satÉlite É um evento que não passa despercebido, o lançamento É sonoramente e visualmente perceptÁ­vel num raio de dezenas de quilômetros, ou seja, nenhuma empresa consegue lançar um satÉlite na surdina, escondendo o evento do seu governo.

Mas se numa hipótese rara um fato assim acontecesse, este lançamento com certeza não passaria despercebido pelas maiores nações do mundo, que são as que dominam o espaço e as posições orbitais, isto rapidamente se traduziria em um enorme transtorno diplomático para o paÁ­s que o fizesse.

Se há como derrubar o tal satÉlite de sua posição orbital? Algumas teorias revolucionárias dizem que sim, mas eu tenho lá minhas dÁºvidas.