OI TERÁ REALMENTE PREJUÍZO SE O GOVERNO BARRAR A HUAWEI? [PERGUNTA DO SEGUIDOR]

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Nos últimos dias, por conta do nervosismo do cenário complicado em relação aos investimentos na Oi, os investidores em ações da operadora de telecomunicações na B3 (Bolsa de valores) descobriram os meus vídeos e aí o negócio complicou, dá-lhe mais um caminhão de pessoas iradas por considerarem que as análises que tenho feito da caminhada da operadora nesse cenário turbulento nesse momento, com lances emocionantes e até mesmo a mão pesada do Estado, estão sendo feitas para fazer chacota com a situação desses que investem em ações ou até mesmo por que eu quero influenciar alguma coisa (o que eu vou conseguir influenciar é que não sei já que não tenho esse peso todo para influenciar o mercado de infraestrutura de telecomunicações no Brasil, mas…).

É claro que não são todas as pessoas que investem em ações, mas há aí quase uma centena de investidores que colocaram dinheiro em ações da Oi achando que iriam ficar milagrosamente ricos e agora amargam a queda de preço desses ações, a cada nova notícia que impacta o planejamento que a Oi tinha feito para o seu futuro.

Graças a Deus, volta e meia se encontra uma pessoa um tanto quanto mais centrada e educada que faça uma pergunta para tentar entender melhor como é que eu estou analisando a situação da empresa. Fiz diversas Lives nas duas últimas semanas sobre a situação da Oi, melhor ainda, quando fiz a primeira o governo nem tinha começado a interferir no mercado ainda, com a intenção de quebrar as pernas da parceria que estava desenhada, Huawei/Oi.

Essas Lives estão no canal GPSPezquizaOficial, se você tiver interesse assista pelo menos a última delas com o título

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Veja: CLARO VAI ENGOLIR A OI?!

Foi justamente nessa última Live que o Enio Stefane deixou a seguinte pergunta nos comentários:

Richard, boa tarde, caso o governo realmente seja autoritário com relação a Huawei, qual seria o possível prejuízo para a Oi? Pois a empresa ainda poderá se associar com a Nokia e a Ericsson… Lembrando que segundo a recente entrevista do Rodrigo Abreu, o foco da empresa é fibra, em ser a maior empresa de infraestrutura fibra = 5G. O lucro dessa operação é o dobro de Ebitda = 70%. Segundo a sua tese, Eu não entendi o que pode atrapalhar a caminhada da Oi, pois ela pode vender a parte móvel, os imóveis e demais ativos não core, que ainda será a maior empresa de infraestrutura e viabilizadora do 5G no Brasil, esse é o plano estratégico da empresa (Rodrigo Abreu).

Excelente essa pergunta, a resposta total dela com certeza daria para se escrever um livre de 200 páginas, mas dá para resumir alguns pontos mais importantes, pensando do ponto de vista de um administrador de uma grande empresa e deixando de lado, o máximo possível, a inocência de um leigo no assunto ao imaginar que as coisas irão se encaminhar da maneira exata como a Oi (nesse caso a mais interessada em sua estrutura) está pintando o seu futuro, obviamente, um futuro dourado.

Ora, você aí que tem um carro usado para vender, vai chegar num pretenso comprador e dizer que você passou um batom nele só para vender mas que na realidade ele está cheio de problemas? Por qual motivo você imaginaria que a diretoria da Oi também faria uma loucura dessas?

O possível prejuízo da Oi caso o governo realmente barre a Huawei

A diretoria da Oi tem um plano estratégico excelente, não fosse o governo declarar que irá barrar que o maior e mais preparado interessado em colocar dinheiro nisso, com maior volume de dinheiro em mãos para gastar, não poderá colocar esse dinheiro na estrutura disponibilizada pela Oi (e nem em nenhuma outra tele brasileira).

O que ocorre com isso é que se você impede o principal interessado/comprador de comprar, restam menos compradores que poderão comprar o produto. Como não existem tantos compradores assim no mercado de telecomunicações, principalmente para uma estrutura continental como é qualquer obra desse porte no Brasil, o preço a se pagar pelo que a Oi tem a oferecer diminui consideravelmente, ou seja, a empresa é fortemente depreciada com uma decisão destas vindo de quem tem o poder de modificar as regras do jogo no mercado nacional.

Pior ainda, quem irá entrar com a Oi nesse empreitada de tornar o 5G uma realidade no Brasil precisa ser um parceiro/investidor que realmente entenda dessa nova tecnologia e tenha condições de fornecer os equipamentos corretos, não adianta um investidor/endinheirado qualquer que tenha somente o dinheiro para investir/comprar pois é necessário mais que dinheiro nessa situação para fazer a coisa caminhar da maneira certa.

É por este motivo que grandes licitações para obras de infraestrutura de grande impacto social são sempre vencidas por uma parceria entre grandes empresas que atuam em pontos específicos daquela obra. O porte da empreitada exige isso.

Não adianta eu querer montar uma fábrica de carros sem entender as minúcias do mercado, para eu conseguir estruturar tudo o que é necessário para isto começando do zero o que irá acontecer é que vou precisar gastar várias vezes mais que um investidor com know-how no mercado gastaria, além de que, com certeza, quando estiver com a minha estrutura finalizada e começar a produzir, haverão centenas de erros que necessitarão ser corrigidos o que me colocaria em grande risco de falência só de começar a produção.

É por isso que nenhuma tele tem condições neste momento de entrar na empreitada do 5G sozinha.

O mercado tem Ericson e algumas poucas outras que tem um certo conhecimento no assunto? Sim, mas note que a que seria mais preparada neste momento, Ericson, está precisando levar um empurrão do governo americano para que venha a se disponibilizar em agir para tentar bater de frente com a bem preparada Huawei.

5G é um mundo totalmente novo, não irá em nada correr em estrutura paralela com a estrutura do 4G, ou seja, quem quer entrar nessa tem que dar a benção para quem já está pronto para executar. Por isto quando você procura não vê lógica maior que a parceria Oi/Huawei, neste momento. Para que venha uma Ericson ela precisa se apresentar com a mesma disposição de conhecimento e possibilidade de investimentos que a Huawei já estava mostrando. Isso não vimos ainda da Ericson.

Dessa forma, no momento, para quem realmente tem bala na agulha, a visão de futuro da Oi está com a precificação em queda.

Lucro potencial da operação de fibra da Oi

Note que o nosso colega já dá, na sua própria pergunta, a chave que resolve o problema. O lucro da fibra da Oi é, no momento, um potencial de lucro, ele ainda não se realizou totalmente e necessita de muito trabalho e investimento para se realizar. Inclusive, muito desse lucro potencial estava “comprometido” com a visão de futuro da Oi em relação ao 5G e aos grandes investimento chineses que viriam para a operadora.

Ora, a Oi precisa equalizar a resolução de seus problemas financeiros passados, que ainda não estão totalmente resolvidos como a Anatel declarou, com os grandes investimentos que está fazendo constantemente na sua estratégia focada, no curto e médio prazo, na sua rede de fibra além de conseguir convencer os investidores de que ela, Oi, mesmo sem a Huawei, conseguirá estruturar um 5G com toda a gama de usabilidade colocada sobre essa tecnologia.

Ou seja, a Oi tem potencial mas o realizado até o momento, o que está entrando de dinheiro em caixa, além da possibilidade de a empresa conseguir estruturar a sua visão do futuro, não chegam nem perto desse potencial planejado. Como só é possível trabalhar no mundo real com a realidade, é necessário deixar o que é “potencial” para que os investidores em ações na B3 o usem para justificar os seus investimentos.

E quanto aos imóveis da Oi, eles valem bilhões e injetarão muito dinheiro nos caixas da empresa, não é mesmo?

Quanto aos imóveis da Oi, você tem que considerar que o valor que a Oi os coloca agora é um valor de avaliação de mercado, no entanto ao tentar realizar essas vendas (transformar o valor potencial em valor real) a diretoria da Oi tem plena consciência de que aquele valor que ela tem de avaliação não será, nem de perto, o valor realizado.

São vários os motivos para isso, mas vamos aos mais básicos. o mercado de imóveis no Brasil desaqueceu nos dois últimos anos, então vender um imóvel hoje em dia pode levar entre muitos meses a até alguns anos, se o vendedor quiser receber por este imóvel algo pelo menos próximo do valor que ele tem em mente, e olha que, mesmo assim, se conseguir será um lance de muita sorte.

Agora pense em uma empresa que necessita vender dezenas de imóveis e ainda por cima está com um fluxo de caixa deficitário mês a mês, necessitando desse dinheiro para cobrir esse rombo? Para piorar a situação dos imóveis da Oi, são imóveis comerciais e você já viu o tanto de empresas que fecharam as portas nos últimos anos? Isso significa que não há tantas empresas dispostas a comprar estruturas imóveis para se instalarem.

Mas ainda tem um outro elemento que diminui ainda mais o valor desses imóveis, q quantidade de imóveis comerciais existentes para locação atualmente no Brasil, que esperam um locatário há meses e até anos. Os donos desses imóveis também estão pressionados a alugarem por valor mais baixo.

Então os imóveis com valor bilionário da Oi por enquanto ainda são uma esperança para a empresa e não um fato.

Pensando do ponto de vista do negócio, ainda temos que a atividade fim da Oi nada tem a ver com venda de imóveis, muito longe disso, então a empresa não pode se apegar tão fortemente a uma possível venda de imóveis, que como eu disse, tem que se realizar primeiro dentro do cenário atual do mercado de imóveis no Brasil; a Oi tem que se apegar à sua atividade fim e fazer essa atividade gerar o fluxo de caixa que ela necessita.

Se necessário for vender esses imóveis por valor bem abaixo do que eles estão avaliados nesse momento, ela o fará, para poder colocar o que está imobilizado alí e gerando um gasto mensal de manutenção, depreciação, impostos… em sua atividade fim que é o que deve gerar lucros para a Oi.

A situação da Oi é muito complexa nesse momento e para piorar o governo ainda vem ditando novas regras, que no momento em que ele assumiu o governo, disse que não o faria, liberando naquele momento a Oi para executar ações que naquele momento passado ela julgava que seriam contempladas agora com investimentos externos em volume bem maior do que a realidade atual aparenta se o governo realmente bloquear a Huawei.

Pense com calma: investir e estruturar uma imensa rede de 5G no Brasil não é a mesma que estruturar uma loja para vender bicicletas. A complexidade é totalmente outra, os possíveis concorrentes são limitados, a Oi tem a estrutura mas está gastando e se comprometendo com o que pode e o que não pode para sustentar essa estrutura que precisa agora ser utilizada para impactar positivamente o fluxo de caixa da companhia.

Um abraço e estamos a disposição para qualquer dúvida.

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