Fim da TV Digital Terrestre

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Deu-se início a um processo que pode significar o fim da tv digital terrestre, vale a pena ficar bastante atento.

Todos sabemos que as tecnologias relativas à emissão de televisão são primeiramente decididas e testadas na Europa. Temos, por exemplo, o padrão DVB (Digital Video Broadcast) que é base para a emissão de sinais de tv via satélite, cabo e terrestre em praticamente todo o mundo. Há uma ou outra emissão que foge a esta regra, como o caso da tv digital terrestre brasileira.

Mas a situação que vamos comentar aqui não está exatamente ligada aos padrões de emissão de sinais de tv e sim ao espaço ocupado pela emissão da tv digital terrestre, seja transmitindo em qualquer padrão estipulado pelo órgãos responsáveis. O espaço (frequências) ocupado pela TV digital terrestre, atualmente, em praticamente todo o mundo, tem se tornado cada dia mais valiosa para ser ocupado por uma atividade (a tv aberta) que está perdendo relevância rapidamente nas regiões onde era mais valiosa.

Simplificando, é um prejuízo duplo para os governos e empresas de comunicação que se insista em manter a tv aberta usando frequências terrestres quando tais frequências poderiam estar sendo usada para interesses “mais relevantes” de trafego de informações e “colhimento de dados”.

Mas como passar esse espaço que hoje é da tv digital terrestre para um uso mais relevante em termos de telecomunicações sem causar um trauma repentino ou, quem sabe, até mesmo um desconforto social?

Fim da TV Digital Terrestre como a conhecemos atualmente

Nem o problema e muito menos a solução deste problema são discussões e decisões novas. Já se sabia, desde a implementação do tráfego de dados através de tecnologicas sem cabeamento, via emissão de frequências, que um dia o balanceamento de valores entre a emissão de televisão e rádio (necessidade pequena de tráfego de dados) versus a emissão/tráfego pesado de dados para internet ou redes de dados isoladas, penderia para o lado da internet/rede de dados. A questão complicada era: o que fazer para a continuidade da emissão de televisão e rádio terrestres sem que se transforme em lixo todo o equipamento atual de transmissão e captação de tv terrestre?

A solução chegou com a internet móvel 5G e as tecnologias de conexão de internet que a sucederão.

É óbvio que nem todo o equipamento antigo poderá ser reaproveitado com a transição de prioridade de dados que virá a trafegar via as frequências terrestres que no momento são ocupadas pela tv aberta, mas a sociedade já está tecnologicamente preparada para mudar a forma de captação da tv digital terrestre, sem maiores transtornos.

E o que virá?

Virá o que todo o mercado de telecomunicações já sabia que seria necessário, a desocupação de todas as emissões de tv digital terrestre através das frequências terrestres que utilizam atualmente para que estas emissões via frequências terrestres sejam usadas para o tráfego de uma grande quantidade de dados via internet. Com isto a tv digital terrestre passará a trafegar nesta rede de dados/internet que será implementada onde antes só havia emissão de tv digital terrestre, ocupando uma quantidade ínfima da capacidade de tráfego de dados dessa rede e se valendo de um sistema de geolocalização para a manutenção das emissoras regionais sem que uma emissora regional invada o espaço da outra.

Parece não ser uma grande vantagem para as emissoras de televisão abrirem mão de suas frequências terrestres e elas até poderão alegar isto para tentar ganhar algumas vantagens a mais pela transição, mas na realidade as emissoras de televisão ganharão muito com esta mudança.

De imediato elas poderão emitir a sua programação com uma maior qualidade de imagem e som, já que a tecnologia de rede de dados 5G permitirá um tráfego de dados tão grande por dispositivo móvel que será como se cada smartphone, tablet, etc. tivesse uma internet fibra exclusiva para si. Com isto a necessidade de compressão de imagem e som para a tv digital (o que degrada a qualidade de som e imagem) será muito menor após essa migração, se é que ela ainda irá existir.

Outra grande vantagem para as emissoras de televisão será que elas passarão a ter a oportunidade real de emitir diversos canais/conteúdos simultâneos através desta nova tv digital terrestre, podendo até mesmo se aproveitar do vínculo digital bem mais intuitivo para levar os seus espectadores da tv digital terrestre para suas plataformas/conteúdos pagos que produzirão.

Sobrará para as empresas provedoras de tráfego de internet, as “teles”, a obrigação de ofertar uma estrtura de rede robusta o bastante para suportar o aumento do tráfego de dados que virá com a implementação desta mudança. A vantagem para elas será que herdarão as nobres frequências terrestres que antes eram ocupadas simplesmente pelo tráfego da tv digital terrestre, bem como deverão ser subsidiadas por interesses governamentais sobre o tráfego de dados colhidos pelos infinitos sensores e câmeras que serão espalhados nas vias e locais de convivência pública.

Para quem está antenado nas ideias governamentais sobre o que será segurança pública e o entretenimento social até o final desta década, já deve estar imaginando as necessidades de tal migração descrita aqui.

E onde a Europa entra no fim da tv digital terrestre?

Como dissemos no início desta publicação, a Europa é o player mais importante quando falamos nos rumos futuroas da televisão.

Já há aproximadamente dois anos que alguns testes de transmissão de tv digital terrestre via rede móvel 5G são realizados na Europa, antes mesmo da liberação comercial da nova tecnologia de rede de internet. Agora dois países importantes do continente europeu resolveram se mover para o próximo passo, liberar as frequências agora ocupadas pela tv digital terrestre para que sejam ocupadas pela internet móvel de alta velocidade, migrando a tv digital terrestre para essa nova rede de dados.

Bélgica e Alemanha já se movem para esta migração, através de suas emissoras de tv e rádio controladas pelo governo.

Na Bélgica, que adota o padrão DVB-T de tv digital terrestre e o DAB (Digital Audio Broadcast) para a meissão de rádio FM, há uma maior preocupação com uma grande frota de carros que ainda está equipada com sistemas de rádio antigos, incompatíveis com a captação de rádio digital via 5G. No meu ponto de vista nada que uma bugiganga chinesa conectada à tomada 12 volts dos veículos não resolvam.

Na Alemanha por enquanto se fala na migração da tv digital terrestre, que por lá adota o padrão DVB-T2, uma evolução do DVB-T.

O direito de emissão de tv aberta via tv digital terrestre continua a se dar por meio de concessão governamental.

A intenção é que dos teste finais necessários até a migração completa, tudo se resolva até 2027.

Não vamos nos esquecer que, apesar do burburinho, as redes 5G ainda não estão completamente implementadas e suas consequências reais ainda não são de entendimento/domínio público.

Não se iluda de que este movimento de migração da tv digital terrestre e liberação de mais frequências terrestres para a internet móvel de cada vez mais alta velocidade não vai chegar aqui no Brasil. É cada vez mais rápida a chegada destas tecnologias em solo brasileiro, principalmente quando elas são de interesse público e para a segurança coletiva.

Preste muita atenção ao que vai acontecer com o fim da tv digital terrestre da maneira como nós a conhecemos e com essa nova emissão de dados no lugar hoje ocupado pela tv digital terrestre.

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