Rodar 90Km com R$ 6 de “combustível” já é possível no Brasil

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Você achou que essa matéria era para falar daquelas engenhocas de vapor de hidrogênio para o carro, né? Eu até desconfio que algumas delas funcionam, mas essa matéria aqui é para falarmos um pouco da nova onda de carros elétricos “baratos” aqui no Brasil e como o gasto com o “consumo de combustível” do carro elétrico se tornou infinitamente menor que o mesmo tipo de gasto nos carros a combustão.

É claro que houve um empurrãozinho no preço dos combustíveis para que se chegasse a essa diferença tão absurda em gasto com o tanque cheio entre o carro a combustão e o carro elétrico. Esse empurrãozinho não é o foco desse nosso papo, mas temos que tocar nele para que também possamos nos atentar ao fato de que o preço dos combustíveis não irá recuar nunca mais, muito pelo contrário. Dessa forma, os elétricos tem sim que começar a ser analisados por todos que pretendem ter um veículo daqui por diante.

Quer outro fato duro? O preço dos elétricos ainda é alto em todo o mundo mas já vemos, até mesmo aqui no Brasil, um empurrãozinho para que o preço do carro novo à combustível chegue também a um valor impeditivo, fazendo com que o pretenso comprador seja obrigado a colocar não somente o preço de compra na balança da compensação, mas também o valor de manutenção e principalmente o do abastecimento.

E não pense você que o usado a combustível seguirá sendo uma boa opção por muito mais tempo. Em alguns anos tanto as peças se tornarão mais escassas e caras quanto a mão de obra para a manutenção dos carros a combustão também tenderá a diminuir gradualmente e o valor subir vertiginosamente.

Vamos então comparar alguns dos carros mais baratos do Brasil, a combustão vs. elétrico.

Vejamos o Fiat Mobi, que segundo o site da própria montadora, hoje, 22 de maio de 2022, tem preço da versão mais básica para o estado de Goiás em R$ 65.990.

O consumo de combustível do Mobi em trânsito urbano (vamos comparar no urbano pois o elétrico é feito para o uso urbano) é de 12,7 kilometros por litro de gasolina.

Para uma pessoa que necessita rodar uma média de 30 Km por dia, durante a semana, irá rodar uma média de 750 Km por mês (sim, eu descontei os domingos) e deixará no posto de combustível, aqui em Goiânia cujo preço chegou a R$ 7,47 esta semana, aproximadamente R$ 441,12 por mês. Isso equivale em um ano a R$ 5.293,70. Mas como a gasolina vai subir mais um tanto esse ano, vamos jogar aí mais uns 10% sem medo de errar na conta e vamos para R$ 5.823,07 para um ano de combustível.

Mas como eu sei que em cidades maiores e com trânsito bem pior que o de Goiânia o normal é rodar em média 50 km por dia, teremos então 1.250 km rodados no mês (descontando os domingos), R$ 735 deixados no posto de combustível na conta simples ou R$ 808 acertando a inflação. No ano isso equivale a R$ 9.705.

É dolorido, é bem dolorido. E olha que estamos falando do Fiat Mobi, um carro a combustão econômico, mas sabemos que o brasileiro não é muito chegado em carro miudinho e econômico.

Vamos então comparar com outro carro miudinho e ecônomico, produzido aqui no Brasil (sim, no Brasil). Elétrico.

Estou falando do E.coTech 4, um carrinho elétrico que pode ser emplacado, comporta 4 passageiros, roda 90 Km por recarga em sua versão básica de rua e que custa, na versão citada, R$ 104 mil.

A diferenção é de R$ 40 mil para o baratinho Mobi, é verdade, mas vale ressaltar que o competido mais conhecido dele e que está sendo divulgado aqui no Brasil como o elétrico mais barato do mercado, começará a ser ofertado em sua versão básica por R$ 145 mil. E olha, sem ar condicionado e outros ítens que deveriam ser básicos num carro desse valor.

Voltemos ao E.coTech 4, segundo a fabricante, ele consome de elétricidade o equivalente a R$ 6 por cada recarga completa que o permite rodar 90 Km no trânsito urbano. Como a autonomia dele é de 90Km, ele não foi feito para se pegar a estrada.

Vamos então pensar no usuário que roda 30 Km diários ou 750 Km mensais, ele vai gastar de energia R$ 50 por mês, se quisermos colocar os tais 10% esse valor passaria para R$ 55 mensais. Em um ano são R$ 660, uma diferença R$ 5.172 a menos, por ano, que o Fiat Mobi. Mesmo assim, quem roda 30 Km ainda levaria quase 8 anos para pagar a diferença de preço entre os carros, se formos pensar somente no combustível.

Já quem roda 50 Km irá pagar de elétricidade um total de R$ 83,33 mensais ou R$ 91,66 com os tais 10%. no ano isso equivale a R$ 1.100, uma diferença de R$ 8.605 a menos no “combustível”.

São 4,5 anos para pagar a diferença se pensarmos só no combustível.

Mas se pensarmos que a energia elétrica no Brasil, hoje, está custando uma média de R$ 1 por kilowatt hora, isso equivale a dizer que 6 KWh “enchem o tanque” do pequeninho elétrico. Ou seja, você precisaria ter, aproximadamente, 1000 Watts de painel solar para abastecer este carro elétrico, se ele roda 30 km por dia. E isso estou colocando potência de painél com sobra. Acrescente aí mais pelo menos uma bateria de 220 Ah e um inversor onda quadrada simples de 4000W para trabalhar sem esquentar a cabeça.

To fazendo aqui as contas por cima é temos mais ou menos:

R$ 2.300 de painel solar
R$ 1.000 de bateria
R$ 600 de controlador de carga
R$ R$ 700 do inversor

Com 4.600 você vai recarregar seu carro muito bem pelos próximos 25 anos, talvez precisando trocar essa bateria do kit energia solar a cada 4 ou 5 anos. Essa bateria quase não será exigida se você recarregar o carro nos momentos em que há sol, ou seja, durante o dia, pois enquanto o sistema está gerando energia solar ele já vai usando boa parte dessa energia gerada para recarregar o carro.

Se colocarmos aí que seriam 20 anos de uso, vamos acresentar mais duas baterias de R$ 1500 para esse ciclo de 15 anos, temos R$ 7.600 dividido por 20 ou R$ 380 por mês com a vantagem que esse valor mensal não sofrerá o reajuste anual que combustíveis e eletricidade da concessionária sofrerá.

Para a situação de rodar 50 Km eu só acrescentaria mais um painel, R$ 700 e daria um reforça na bateria, R$ 500. No final eu imagino que o gasto iria para uns R$ 9.500 para os 20 anos, equivaleria a R$ 40 mensais, lembrando que o investimento em energia solar sendo feito no valor presente não sofrerá com os reajustes anuais de combustível ou energia elétrica.

Isso aí no final do ciclo de vida do carro elétrico também vai multiplicar e muito o custo benefício em relação ao combustível.

O impeditivo é ter toda essa alta grana para investir num elétrico, mas colocando na ponta do lápis, para o uso urbano já está sendo forçado a fazer sentido a adoção do elétrico.

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