12 MIL RECEPTORES DE TV PIRATA DESTRUÍDOS PELA PF – SÉRGIO MORO DECLARA GUERRA À PIRATARIA

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Ontem a Polícia Federal destruiu 3 mil receptores de tv apreendidos na fronteira entre Foz do Iguaçu e Cidade Del Leste. No ano de 2019 12 mil receptores piratas já tiveram o mesmo destino, segundo informações da instituição. Houve também uma coletiva de imprensa, em Brasília, que contou com a presença do “super ministro” da Justiça, Sérgio Moro, para falar sobre as ações de combate à pirataria.

A narrativa da imprensa, inclusive no jornal do horário do almoço daquela rede de televisão que tá ruim das pernas, é de que o destaque da operação era a destruição dos aparelhos que permitem acesso à TV pirata, mas espera aí, a missa não foi contada como realmente foi rezada.

É claro que houve uma importância simbólica na destruição dos receptores de tv, pelas imagens, em sua maioria eram receptores de tv via satélite, no entanto, destruir 12 mil aparelhos não é nem de perto o suficiente para abalar esse mercado de tv pirata, pior ainda, como eu já venho dizendo aqui desde sempre, a cada vez que se dá ênfase em combate a aparelho X ou Y de recepção de tv de forma não autorizada no Brasil, abre-se um leque de oportunidades para o mercado que trabalha em cima de smart tvs e outros conectáveis que sabemos que nunca serão proibidos no país, pois ser forem corremos o risco de voltarmos à idade da pedra. Este último é o mercado que realmente faz o maior estrago no mercado de tv por assinatura legal no momento e que está nadando de braçado num oceano tranquilo, tranquilo.

A grande questão é:

Onde estão os locais que capturam as chaves de acesso da tv por assinatura e as disponibilizam para os receptores do tipo que a PF destruiu ontem?

Onde estão os locais que capturam as imagens da tv por assinatura e as disponibilizam via IPTV para aplicativos de reprodução de streaming que podem rodar em TV Box, Smart TVs, smartphones, tablets, video games e tantos outros?

Enquanto esses locais não forem combatidos operações como a de ontem servirão mesmo só para colocar pressão psicológica nas pessoas que pensam em usar a pirataria da tv paga mas ainda não estão usando.

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Outro ponto de pouca efetividade, que sempre vemos nos dias desse tipo de destruição, é citar o quanto de prejuízo financeiro o mercado de tv por assinatura está tendo anualmente no Brasil, desta vez o valor citado foi de R$ 9 bilhões, o que, levando para o mundo real, com certeza não se concretizaria. O grande prejuízo que o mercado convencional de TV por Assinatura está levando nos últimos tempos vem da recessão pela qual na qual o Brasil entrou há alguns anos, recessão esta que tem levado as famílias brasileiras a cancelarem a assinatura da tv paga, muitas buscam como alternativa plataformas como a Netflix (com imensa quantidade de conteúdo infantil, que é dos mais consumidos na tv paga), outras poucas migram para estes métodos alternativos e não autorizados.

O mercado paralelo de tv fechada já existe, forte, há pelo menos uma década no Brasil, antes de entrarmos em recessão econômica ele crescia saudável e já reclamava da pirataria. Abrindo um paralelo neste ponto e lembrando (ou esclarecendo) que eu não uso e nem incentivo o uso de tv pirata, posso afirmar para os senhores, sem medo de errar, que grande parte daquelas pessoas que usam a pirataria da tv há muitos anos, e acredito que mesmo as que estão entrando agora, não pagariam para usar a tv por assinatura convencional. Essas pessoas acham que estão fazendo um bom negócio por terem acesso aos canais da tv paga “de graça”, nunca levaram em consideração assinar com uma operadora de tv paga e quando perdem o acesso aos canais, no método que estão utilizando, nunca levam em consideração assinar com a tv paga pois consideram caro, mesmo as pessoas que podem pagar pela assinatura consideram caro. Pior ainda para as operadoras, se um dia não houver como elas acessarem através dos subterfúgios que usam atualmente, elas não assinarão com uma operadora de tv, provavelmente vão optar por uma Netflix, Amazon Prime ou até mesmo Globo Play.

Desta maneira, há que se tirar muitos zeros aí dessa conta de R$ 9 bilhões.

Na reportagem exibida por aquela emissora, é exibido um trecho de entrevista com o coordenador de combate à pirataria da Ancine (Agência Nacional do Cinema), que informa que hoje são deixados de gerar 150 mil empregos em função da pirataria ligada à parte do audiovisual. Aí eu pergunto: é o que? Como assim? Tem como a Ancine liberar um estudo real sobre o assunto descrevendo onde seriam estes empregos? Quais funções? Em que empresas? Pelo que eu saiba essa afirmação não foi clarificada pela Ancine, mas se foi eu sou uma das pessoas que gostaria de analisar ela com muito carinho, se a informação no mínimo parecer plausível serei um dos que passará a adotar esse argumento.

Já na coletiva de imprensa da Receita Federal, que ocoreu em Brasília, com a presença do Ministro da Justiça, Sérgio Mouro, a fala do subsecretário da Receita Federal, Marcus Vinicius Vidal Pontes, que cuida das fronteiras, dava ênfase à pirataria dos cigarros, estes produtos apreendidos pela receita, segundo informações passadas pelo secretário, somam 45% as apreensões na fronteira, sendo o valor estimado destes cigarros apreendidos em mais de R$ 1 bilhão de reais.

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Vamos então à grande questão, quanto valem os receptores apreendidos em relação aos cigarros piratas apreendidos pela Receita Federal? Vamos considerar que sejam 90 dólares para cada receptor, a apreensão teria uma valor estimado de aproximadamente 4 milhões de reais. A ABTA (Associação Brasileira da TV por Assinatura) quer que o prejuízo do mercado de tv paga seja de R$ 9 bilhões, tem que fazer um exercício criativo grande para chegar nesses valores.

É fácil entender que a reunião foi feita para falar sobre a apreensão de produtos piratas em geral e não apenas aos relativos ao mercado da tv paga. Não estou menosprezando a importância do mercado de tv por assinatura e das apreensões, apenas trazendo luz ao fato de que há outros produtos no Brasil que também sofrem com a pirataria e sofrem muito mais que TV por Assinatura. No caso dos cigarros, por serem um produto demonizado pela mídia (e por não estarem no mesmo mercado e nem terem emissoras de tv fechada), o combate à pirataria destes não ganha o mesmo tratamento midiático do combate à pirataria da tv fechada, mesmo com a diferença de valores enorme em favor do mercado de cigarros legais.

Por fim o Ministro da Justiça também estava presente na reunião e falou sobre o mercado da pirataria em geral, mas a reportagem quis dar a entender que ele estava falando especialmente da pirataria da tv por assinatura. Novamente, não menosprezando esse problema, mas o Ministro falava sobre a pirataria em geral:

“Existe toda uma linha de produção e comercialização por trás e que não envolve pequenos criminosos, pelo contrário, envolve grandes criminosos.” enfatizou muito bem o ministro.

O mercado de tv pirata envolve pelo menos duas atividades macro muito bem definidas

– a produção e comercialização de aparelhos específicos para a recepção de canais de tv. Esta é uma atividade secundária, já que os atuais aparelhos de recepção de tv pirata, tão combatidos aqui no Brasil, podem ser facilmente substituídos por aparelhos que estão presentes no dia a dia dos brasileiros, como as Smart TVs.

– a captura e disponibilização dos meios de acesso à tv por assinatura e a captura e disponibilização do conteúdos da tv paga via streamig. Esta é a real atividade da tv pirata em todo o mundo, aquela que realmente causa o estrago, aquela que se combatida da maneira correta tem o potencial de abalar o mercado paralelo. A dificuldade para se agir nesse ponto principal? Essa atividade é concentrada em países onde os peixes grandes, citados por Sérgio Moro, se sentem seguros para operar.

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