A Televisão Morreu

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Atenção, preste muita atenção, a televisão da maneira como você a conhece morreu nesta última semana e isto é um bom motivo para você não se apegar mais nas maneiras antigas e ultrapassadas que você insiste em usar para assistir televisão.

São muitas as evidências de que já não existe mais televisão, ou pelo menos este modelo atual de televisão que nós, que fazemos parte da população com mais idade, com seus trinta e poucos anos, ainda insiste em querer se apegar.

O que você entende por televisão? É aquele modelo de negócio em que existe uma emissora que compra de uma produtora diversos programas, ou produz por conta própria diversos programas, estabelece um horário para transmitir estes programas e vende horário comercial nos intervalos destes programas, além de transmitir a sua programação por uma faixa de frequência limitada a uma região metropolitana ou em alguma operadora de tv por assinatura que retransmita este sinal via cabo ou via satélite?

Pois é, este modelo de televisão do século passado já ficou para trás, morreu e quem deu o último tiro fatal foi o Youtube, nesta semana. O problema é que ela é um paciente com morte cerebral cuja família tem muito dinheiro ainda para pagar para que o hospital não desligue os aparelhos, mas já está dando fortes sinais de que o dinheiro está acabando.

E ninguém mais vai assistir televisão? É o que você deve estar pensando não é?

Pois a pergunta correta deveria ser, como é que as pessoas continuarão a consumir o entretenimento em vídeo nos próximos anos.

É muito simples, elas irão consumir os programas que elas desejam e preferem diretamente das plataformas oferecidas pelas produtoras de conteúdo ou agregadoras de conteúdo, escolhendo os horários em que querem assistir e como assistir a estes conteúdos. Resta então os conteúdos ao vivo que serão consumidos… menos ao vivo e cada vez mais no horário e da maneira que o espectador desejar.

Tudo isto via conexão de rede, preferencialmente via internet, mas outras redes virão ou se popularização com as conexões de dados via satélite ou cabeamentos das operadoras especialmente formuladas para o entretenimento digital em vídeo.

Esta semana eu publiquei aqui no GPS.Pezquiza.com a matéria Canais grandes começam a sumir do Youtube por causa do Red, em que informei que a ESPN tinha alegado ter tirado seu conteúdo do Youtube por que as detentoras de direitos dos eventos esportivos exigiram serem remuneradas pelo conteúdo no Youtube devido ao sistema de monetização dos vídeos ter se tornado por assinatura.

A semana passou e o Youtube veio com esta bomba para o lado das emissoras, o que provavelmente foi o real motivo pelo qual a ESPN se retirou do Youtube: Youtube terá jogos da Copa do Rei da Espanha ao vivo para o Brasil… Mas….

Mas por que notícia acima é tão importante assim? Por que a partir dela os detentores de direitos dos eventos esportivos começaram a dizer que vão mudar a maneira como vendem os direitos de transmissão para os seus eventos, que atualmente são divididos em direito para internet e direito para a televisão pois elas estão entendendo que não existe mais esta separação entre internet e televisão, ou mais precisamente, que não existe mais o modelo de televisão tradicional e que as empresas que atuam exclusivamente no entretenimento em vídeo via internet tem capacidade para atingir ao mesmo público que o modelo ultrapassado de televisão atinge e mais importante, tem capacidade de pagar tanto ou até mais que a televisão paga.

A ESPN se sentiu ameaçada pela incursão do Google em transmitir eventos esportivos ao vivo e cobrar uma assinatura por isto e deve estar travando, nos bastidores, uma guerra contra o Youtube para fechar os direitos de diversos outros eventos. Como a ESPN pode continuar a dar lucro para o Youtube tendo um canal no Youtube se por outro lado precisa competir com ele por direitos de transmissão de eventos esportivos?

Pois é, não dá, por isto a ESPN chamou seus assinantes para uma plataforma própria que criou para os seus vídeos online.

E o Youtube por enquanto só começou a arranhar este mundo da transmissão de eventos esportivos cobrando assinatura, ainda tem muito campo para ele avançar.

Mas qual é mesmo a diferença entre assistir um evento esportivo via televisão ou via internet? A diferença é que as novas gerações querem consumir via internet em todo o tipo de aparelho multimídia possível, eventualmente em uma tela grande que ainda chamamos de televisão.

Aqui no Brasil nós já temos muitos exemplos de que o modelo antiquado de televisão morreu, mas vamos ao exemplo mais contundente: Rede Globo de Televisão.

– Os canais pagos da Globo foram portados para a internet e a Globosat está muito feliz com isto, obrigado, pois vinha perdendo contundentemente audiência nas operadoras de tv por assinatura e vem ganhando, a cada dia, mais audiência em seu conteúdo on demand na internet, via Globosat Play, e alguns de seus canais oferecem, via internet, o conteúdo ao vivo que está nos satélites das operadoras… Por enquanto para acessar o Globosat Play tem que ser assinante de uma operadora, mas isto pode mudar muito em breve.

– A experiência Globosat Play está sendo tão positiva para a Globo no último ano que ela resolveu mudar a sua plataforma GloboTV+ para uma plataforma similar ao Globosat Play, deu o nome para a nova plataforma de GloboPlay e vai oferecer até mesmo o seu sinal ao vivo na internet. Mas o mais importante da plataforma é a digitalização em tempo real do conteúdo da Globo para oferecer o seu conteúdo o mais rápido possível por on demand para os seus… assinantes do GloboPlay.

Eu também publiquei aqui no GPS.Pezquiza.com sobre o Globo Play na matéria Globo terá canal ao vivo pela internet na próxima semana… Globo Play.

A Netflix é outra plataforma online que vem matando as emissoras tradicionais de televisão, e quando eu digo matando, é matando comercialmente, pois a Netflix está se dando tão bem com as produtoras de conteúdo que grande parte do conteúdo que está nas emissoras de tv por assinatura também está na Netflix e o tiro de misericórdia da Netflix está próximo pois ela está preparando a unificação do seu catálogo em todo o mundo.

Isto significa que o catálogo do Netflix dos Estados Unidos, que é surpreendentemente completo e tem conteúdo muito mais atualizado e que está sendo exibido nas operadoras de tv por assinatura através do mundo, passará a ser disponibilizado para todo o mundo.

A previsão de chegar a 80 milhões de assinantes para o Netflix nos próximos dois anos por conta do seu modelo on demand demonstra que é este o modelo que o público deseja.

A Netflix também vai trazer notícias para a sua plataforma o que pode significar o início da transmissão de programas ao vivo na Netflix.

Enquanto isto a audiência dos antigos modelos de televisão e antigas tecnologias de transmissão da televisão continuam a perder audiência.

A estes exemplos ainda podem ser agregados dezenas de outros que nos ajudam a entender por que os detentores de conteúdo começam a mudar a maneira de negociar os seus conteúdos, sem distinção entre televisão ou internet… Quem pagar mais passará a ter direito de transmitir o conteúdo por qualquer meio.

Alguém duvida que o Youtube tem capacidade financeira de comprar muitos grandes eventos esportivos para transmitir por assinatura para os bilhões de espectadores que já acessam a sua plataforma?

Alguém duvida que outras plataformas online vão surgir para competir com o Youtube nesta empreitada?

Alguém duvida que a Netflix vai continuar a pressionar as emissoras convencionais e operadoras de tv por assinatura em relação a conteúdos infantis, séries, filmes e diversos outros?

Alguém duvida que as novas gerações vão consumir mais e mais conteúdo em vídeo via tablet, smartphones e outras telas portáteis e menos em grandes telas que não podem ser levadas?

A Televisão como você a conhece atualmente já morreu, não se apegue tanto aos modelos tradicionais de assistir televisão que você tem atualmente, em pouco tempo eles serão revolucionados de uma maneira surpreendente.

Atualize-se para não ser surpreendido.