CARDSHARING DE TV A CABO: POR QUE TEM QUE PAGAR E CIDADES DO INTERIOR QUASE NÃO TEM [PERGUNTA DO LEITOR]

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O leitor Luciano enviou a seguinte pergunta para o GPS.Pezquiza.com, através do meu e-mail pessoal [email protected]:

Ola meu nome é Luciano sou da cidade de Araraquara acompanho seu site e recebo suas matérias por email, gosto muito de ler seus posts queria saber porque os aparelhos que desbloqueia os decodificadores a cabo tem que pagar C.S fico também na duvida porque os servidor dessas marcas não conseguem desbloquear cidades do interior ,onde vejo só em cidades grandes exemplo São Paulo que o acesso e free .No meu caso tenho que pagar um c.s de 30 reais mensais ,gostaria que publicasse uma matéria sobre este assunto e se há alguma alternativa para não ser pago o c.s.

Atenciosamente.

Luciano

Obrigado por seguir o nosso trabalho no GPS.Pezquiza.com e por ter enviado a sua pergunta.

O cardsharing é um modelo usado por marcas de pirataria da tv por assinatura que tem a base de seu funcionamento muito semelhante com outros métodos de desbloqueio, como o IKS (internet key sharing) e SKS (satélite key sharing), sendo que a maior diferença entre esses métodos é mesmo a questão do pagamento pelo acesso às chaves de desbloqueio dos canais, chaves essas extraídas sem permissão de um cartão de acesso condicional de uma operadora de tv por assinatura.

Vale destacar que IKS e Cardsharing são praticamente a mesma coisa, sendo que o IKS é fornecido por alguma marca interessada em vender seus receptores ganhando a confiança dos clientes através da oferta de acesso gratuito às chaves de abertura dos canais através do IKS, enquanto o cardsharing é a opção que as pessoas que tem receptor de tv pirata escolhem quando os seus aparelhos já não fornecem nenhum outro método “gratuito” de acessso a estas chaves de abertura dos canais.

O motivo de ter que se pagar pelo cardsharing é que os servidores de cardsharing são geralmente montados por grupos que teoricamente não são vinculados a nenhuma marca de receptor de tv pirata, sendo assim, eles buscam lucrar ofertando seus serviços para pessoas que tenham receptores de qualquer marca que possa usar cardsharing.

Quando uma marca oferta a opção de IKS ela teoricamente busca preservar o servidor de IKS que ela montou e para o qual está ofertando acesso gratuito somente para os clientes da marca, sempre tentando mostrar que o servidor IKS que ela oferta é melhor que o servidor IKS oferecido por outras marcas.

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E qual seria a mágica para as marcas de receptores de tv pirata oferecerem acesso gratuito ao IKS? Simples, na realidade o período de acesso ao servidor IKS da marca já está com o preço embutido no receptor da marca, então quando a pessoa compra um receptor de tv pirata com IKS ela não está comprando apenas o aparelho, fosse assim ele poderia ser vendido por valor muito mais baixo, o que ela está comprando é o aparelho mais o serviço agregado neste aparelho, que é a possibilidade de “acesso gratuito” aos canais da tv por assinatura.

E o que faz alguns modelos de receptores de tv pirata conseguirem dar acesso gratuito aos canais da tv por assinatura via IKS por mais tempo que outras marcas e modelos? O sucesso de vendas daquele determinado aparelho ou marca, quanto mais vendas mais dinheiro entra e mais a marca busca preservar o bom nome dos seus serviços para que o ciclo de vendas continue alto e ela continua a conseguir manter aquele servidor IKS ativo e funcionando bem.

Esclarecido este ponto vamos falar então sobre a sua dúvida em relação ao cardsharing da tv a cabo.

A TV a cabo tem um método de distribuição de seu pacote de canais que dificulta bastante a prática do cardsharing e outros métodos de pirataria, isto por que em cada cidade em que a operadora de tv a cabo oferece os seus serviços ela precisa montar uma operação que é totalmente independente de outras cidades que ofertam o mesmo serviço, a não ser naqueles casos em que as cidades fazem parte da mesma região metropolitana em que as cidades se unem completamente.

Pense bem, na tv a cabo é necessário que a empresa instale o seu cabeamento em todas as ruas em que deseja ofertas os seus serviços e que este cabeamento esteja ligado a um equipamento central desta empresa de onde vai sair o sinal dos canais para serem captados na casa dos clientes. Por melhor que seja esse equipamento há um limite de até quantos quilômetros de cabo o sinal vai ser manter preservado e a partir de quantos quilômetros é necessário instalar equipamentos para amplificar e receptir este sinal, mesmo assim esta repetição também tem limite e a partir de um certo ponto só montando toda a estrutura de equipamento central novamente para garantir o bom funcionamento do serviço.

Desta feita é possível servir regiões geográficas muito próximas com a mesma central mas não é possível servir localidades um pouco mais distantes como Brasília e Goiânia, separadas por 200 km, por exemplo. Cada uma tem que ter a sua própria central que ofertará os pacotes de canais de forma independente.

Essa forma independente de ofertar os pacotes de canais também dá à operadora de tv a cabo um outra opção importante no combate à pirataria da tv por assinatura, a opção de usar em cada uma das suas centrais de distribuição de canais que tem chaves de criptografia de canais independentes das outras centrais das outras cidades em que atua.

Para você entender o que isto significa, pense no seguinte, vamos imaginar que para desbloquear o pacote de canais de uma operadora o assinante recebesse desta operadora um receptor e uma chave, em uma operadora de tv paga via satélite onde todos os assinantes da operadora captam os canais vindos de uma transmissão enviada de um mesmo local, o satélite da operadora contratada, se o cliente resolvesse mudar para uma cidade muito distante sem comunicar à operadora, bastaria ele levar o seu receptor e sua chave que ele conseguiria usar este mesmo receptor e chave na outra cidade sem maiores dores de cabeça, os canais continuariam a funcionar pois a fonte de onde está vindo estes canais (o satélite) continua sendo a mesma; vamos agora pensar no caso de um cliente da tv a cabo, ele contratou uma operadora da cidade X e agora resolver mudar para uma cidade distante Y sem comunicar à operadora e resolveu levar o seu receptor e chave pois ficou sabendo que na cidade Y também tv a cabo e existe cabeamento na casa onde ele vai morar, chegando lá ele coloca o seu receptor com a chave e descobre a decepção, o receptor não conseguiu abrir nenhum canal da tv a cabo, e o motivo é simples, a fonte dos canais na cidade Y (a central de tv a cabo) não é a mesma usada pela cidade X, e a cidade Y usa um receptor do mesmo modelo da cidade X mas a chave que ela usa para o seu receptor é diferente da chave que é usada na cidade X.

O problema que você está vendo aí gera um grande problema economico para as marcas de tv pirata, para cada cidade que elas quiserem ofertar cardsharing para tv a cabo elas precisarão montar também o seu servidor de cardsharing específico para aquela central de tv a cabo que querem piratear, além disto vão ter que investir para conseguir quebrar a proteção dos canais daquela cidade específica, ficarão mais expostas a serem descobertas pois precisarão atuar na mesma região onde vão ofertar os serviços de cardsharing, ou seja, o custo, a dificuldade e o risco é bem maior que o de montarem servidores de cardsharing para tv via satélite.

Desta maneira eles só vão se arriscar em regiões onde há muitos clientes potenciais onde possam obter um lucro que justifique o risco e o custo que terão, essas marcas e servidores de cardsharing não fazem isto por bondade ou por esporte, fazem por que querem ganhar dinheiro e esta atividade lhes rende um bom faturamento.

Um abraço e continue conosco.