O BURACO FUNDO DA GLOBO ENTERRANDO FUNCIONÁRIOS “MENORES”

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O sindicato dos funcionários da Globo, aqueles de menor escalão que não tem o nome sendo exibido nas legendas de nenhuma produção da emissora, havia preparado para este dia 10 de janeiro um “grande” protesto que iria acontecer nas duas entradas do Projac, no Rio de Janeiro. É a principal instalação física que a Globo mantém no Brasil, a que concentra o maior número de trabalhadores da emissora em um mesmo local.

A pressão, a supressão ou diminuição de benefícios como o plano de saúde e a tentativa de que a emissora para com as ondas de demissões repentinas estavam na pauta do sindicato.

Para fazer mais corpo no protesto o sindicato dos empregados da Globo já contava até mesmo com a participação de familiares dos empregados da emissora e, supostamente, empregados de outras categorias que lá estariam para avolumar mais o protesto e talvez constranger um pouco mais a emissora com as imagens deste protesto circulando nas redes sociais.

Em uma publicação (jornalzinho) distribuída pelo sindicato, intitulada Antena Ligada, entre outros justificativas para o protesto se destaca a seguinte afirmação: “A emissora está discriminando seus trabalhadores, mostrando a face mais cruel do sistema capitalista, no qual só alguns conquistam privilégios”.

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Um dia antes do protesto estava tudo certo de que o ato teria grande participação dos empregados da emissora… Mas foi um grande fracasso. Algo aconteceu no meio do caminho, o sindicato ficou na porta da emissora falando sozinho e no final o discurso de insatisfação mudou para uma única reivindicação contra a diminuição de cobertura do plano de saúde dos empregados da emissora.

Mas a parte mais interessante da coisa está mesmo escondida na frase escrita no jornalzinho da emissora: “A emissora está discriminando seus trabalhadores, mostrando a face mais cruel do sistema capitalista, no qual só alguns conquistam privilégios”. Vamos traduzir a afirmação, que desnuda um movimento que está ocorrendo em muitas outras empresas Brasil afora.

Por que o sindicato afirma que a emissora está discriminando seus trabalhadores?

Por que os chamados pelo sindicato de trabalhadores da Globo são aqueles que tem carteira assinada pela emissora, ou seja, os grades artistas, grades apresentadores, narradores, jornalistas, grandes nomes da emissora não fazem parte dessa classificação do sindicato como trabalhadores pois estes trabalham para emissora em contratos firmados através de CNPJ e recebem um tratamento diferenciado da emissora, inclusive com cláusulas diferenciadas na recisão do contrato. Esse “benefício” da recisão de contrato, que impede estes contratados por CNPJ de queimarem a emissora ao se desligarem dela, não são estendidos aos contratados pela empresa por CTPS, ou seja, os trabalhadores da Globo só tem a temer em relação ao seu desligamento da emissora.

Por que o sindicato colocou a frase: mostrando a face mais cruel do sistema capitalista?
Essa frase foi para fazer barulho mesmo, mas também é uma referência ao fato de que os contratados por CNPJ na Globo e que portanto, por conta deste tipo de contrato, representam em si mesmos uma empresa privada, unidade mais representativa do capitalismo, tem tratamento prioritário na Globo.

Por fim temos a afirmação: na qual só alguns conquistam privilégios.
O clima entre estes diferentes níveis de empregados na Globo, pelo que se fala, não anda nada bom. Isto por que, aqueles CNPJ, os “capitalistas” mais espertos, sabendo que quem fica por último tem menos chance de conseguir bons acordos de recisão contratual, foram saindo de fininho e levando consigo as melhores condições. Agora que os trabalhadores da emissora abriram os olhos e começaram a perceber que não tem muito para onde correr e que a medida os meses passam as condições de trabalho tendem a piorar bastante na emissora, se quiserem continuar empregados. Se continuarem correm o risco de serem demitidos a qualquer momento e se não forem demitidos no curto prazo pode ser que quando a grande onda de demissão na emissora ocorrer (e vai ocorrer), a Globo pode alegar dificuldades para cumprir com os direitos trabalhistas e o recebimento das verbas rescisórias demorar alguns anos para ser decidido na justiça.

Os “trabalhadores” da Globo sabem muito bem a fundura do buraco que estão cavando, ao mesmo tempo morrem de medo de pular para fora dele e não terem nem mesmo outro buraco para se enfiar.

Enquanto isto os chamados “capitalistas” da emissoras…