ANTENA PARABÓLICA, CHUVA FORTE E O SPRAY MÁGICO

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Chuva que derruba o sinal na antena parabólica, em tempos chuvosos esse assunto é muito pedido aqui no GPS.Pezquiza.com, todo mundo querendo uma solução mágica para resgatar o sinal na pabólica perdido por causa da chuva, o que nem sempre é possível.

Em 2013 eu publiquei uma matéria aqui no GPS.Pezquiza.com sobre o produto Dome Magic, que é uma boa solução para alguns locais mais frios, tanto para a questão da chuva quanto para a questão do gelo acumulando na antena parabólica. A matéria é a seguinte:

Dome Magic melhora o sinal da sua antena em dias chuvosos… Será?

Há alguns dias o leitor Cleber enviou um e-mail para o GPS.Pezquiza.com (richardelima@gmail.com), indicando o link para matéria em um outro site, falando sobre o Dome Magic, e me questionando sobre algumas inconsistências que haviam na matéria.

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Realmente há algumas coisas na matéria que não estão descritas do modo adequado, mas vi que a menção do Cleber sobre o produto é um bom motivo até para atualizar informações sobre o Dome Magic.

Frequências de Uplink e Downlink no satélite

De uma maneira bem simplificada, para que o sinal da tv via satélite chegue até a sua residência é necessário dois tipos de trasmissões, as de downlink e as de uplink.

Uplink: são as “transmissões de subida”. Para que o satélite tenha algum sinal de tv para enviar para a sua residência, é necessário que primeiro alguém envie algum sinal de tv para ele, faz sentido não é mesmo? Então há uma central de transmissão em solo, por exemplo, de uma emissora ou da operadora de tv via satélite, cujo trabalho é enviar para o satélite o sinal dos canais que serão transmitidos de volta do satélite para as antenas parabólicas. Essa central que transmite (a partir do solo) para o satélite, utiliza frequências específicas para isto, frequências estas que os satélites estão aptos a captarem e que estão na faixa de captação dos satélites, que é faixa com frequências diferentes das frequências que os satélites usam para a transmissão para as antenas parabólicas, em Banda C ou Banda KU, entre outras, por exemplo. Essas frequências de captação ou de uplink, nos satélites, são sempre as frequências que são mais resistentes às interferências atmosféricas e que são transmitidas para os satélites a partir de antenas e transmissores com uma potência de transmissão muito superior aos equipamentos de captação do sinal devolvido pelo satélite. Tudo isto para garantir que nenhuma dificuldade atmosférica, ou praticamente nenhuma, consiga impedir que o satélite recebe a transmissão de Uplink.

Downlink: são as “transmissões de descida”, ou seja, as transmissões do satélite para o solo, para as antenas parabólicas. Transmissões do satélite através da Banda C (mais resistente às interferências atmosféricas), Banda KU (menos resistente às interferências atmosféricas), entre outras. Aqui temos um adendo, a maior resistência da Banda C às interferências atmosféricas também se dá por conta de que os equipamentos para captação da Banda C, que garantem uma maior captação de sinal para ser amplificado, tendem a ser mais baratos que os equipamentos com a mesma qualidade para a Banda KU, pois a Banda C é encarada como uma frequência de uso mais profissional, com menor aceitação de erros, que o uso da Banda KU. Com isto a tendência é fabricar e comprar equipamentos de captação mais simples, menos potentes, para a Banda KU.

Chuva forte interferindo na antena parabólica

Podemos pensar na chuva como uma tela de prteção contra mosquitos que colocamos na janela de nossas casas, ela bloqueia passagem dos mosquitos mas ainda deixa a luz passar, apesar de diminuir um pouco a luminosidade. Se você coloca uma só tela em casa janela (e é isso que é o normal), essa pequena perda de luminosidade não será problema quanto à luminosidade do sol que você ainda conseguirá dentro da sua casa. Isto pode ser comparado com a chuva fraca.

Vamos pensa no sol como o satélite de transmissão de tv, a luz do sol como o sinal de tv enviado pelo satélite, a tela contra mosquitos como a chuva e o que estiver dentro da sua casa, na frente da janela recebendo a luz solar, como a antena parabólica.

Uma chuva fraca vai barrar um pouco a luz (o sinal da tv) mas ela ainda vai passar em quantidade suficiente para manter a iluminação solar dentro da sua casa e a sua capacidade de distinguir direitinho os objetos de casa que estão sendo iluminados pela luz solar (o sinal de tv via satélite ainda sendo captado em quantidade suficiente para o canal funcionar tranquilo).

Agora vamos imaginar que os mosquitos estão com superpoderes e estão passando pela sua tela e você teve a ideia de ir acrescentando tela em cima de tela, com isto a luminosidade dentro da sua casa vai diminuindo não é mesmo? A tendência é que quanto mais telas você for acrescentando em cima daquela primeira tela, diminua um pouco mais a luminosidade, até que vai chegar em um ponto em que se você acrescentar mais uma tela em cima daquelas que lá já estão, não vai passar mais luz nenhuma.

É desta maneira que acontece com a chuva barrando o sinal da tv via satélite, se ela está fraca (uma nuvem comum, menos densa, com pouca quantidade de água e que ocupa uma área pequena na atmosfera) passando entre a antena parabólica e o satélite, o sinal ainda se manterá integro; se ela começa a ficar mais forte (uma nuvem mais densa, mais escura, com grande quantidade de água e que ocupa uma área maior na atmosfera), ela tende a barrar mais o sinal entre a antena parabólica e o satélite, podendo até mesmo bloquear totalmente o sinal entre antena e satélite.

A chuva forte, o uplink e o downlink

Como eu disse acima, a transmissão do solo para o satélite (uplink), é feita com equipamentos mais fortes de transmissão, e essa potência tende a conseguir atravessar com maior facilidade até mesmo as nuvens pesadas. É raro as interferências atmosféricas derrubarem o uplink, mas já aconteceu aqui no Brasil com algumas operadoras. Veja a matéria que publicamos aqui quando aconteceu com a Claro TV:


Assinantes Claro TV sofreram apagão de 15 minutos

Essa força do Uplink vem da frequência utilizada para ele, mais resistente e do equipamento de transmissão para o satélite, mais potente e profissional.

Já o downlink é diferente, a Banda C tende a ser mais resistente, pois foi pensada para uso profissional também, com link entre as emissoras e suas afiliadas, e entre os canais e as centrais de operação das operadoras de tv por assinatura. Quem tem antena parabólica focal point, na Banda C, com tamanho grande (acima de 2 metros de diâmetro) e com instalação bem feita, usando LNB e disco escalar adequados, dificilmente sofre interferência por conta da chuva, e quando sofre e por menor período de tempo.

Já a Banda KU é mais complicado de não sofrer interferência pela chuva, a frequência é mais propensa ser bloqueada pela chuva, ou, trocando em telas, é preciso muito menos telas para bloquear a luz da Banda KU que da Banda C.

A potência da transmissão da Banda C seria a de um poste de iluminação pública enquanto a da Banda Ku seria uma lâmpada de led de uns 25W, o que já é bom, mas não é tão poderosa quanto a lâmpada de iluminação pública. Desta forma fica fácil entender que é necessário mais telas (nuvem mais densa) para barrar a iluminação (sinal para ou vindo do satélite) na Banda C que na Banda KU.

Dome Magic e a antena parabólica

E onde é que o Dome Magic entre nisso tudo aí?

O Dome Magic é um produto hidro-repelente (que repele líquidos), vendido para aplicação em antenas parabólicas, para não deixar a água da chuva acumular na antena prejudicando, assim, a captação de sinal recebido pela antena parabólica, do satélite.

Mas espera aí, não é a nuvem mais densa que barra o sinal entre o satélite e a antena parabólica? O que borrifar o Dome Magic na antena parabólica vai ajudar? Vai espantar as nuvens densas?

Sim, principalmente para o Brasil, 98% dos casos da água que irão barrar o sinal da antena parabólica ocorrerão na atmosfera, será a nuvem densa que irá barrar o sinal entre o satélite e a antena. Alguns poucos casos irão ocorrer de a antena acumular água enquanto há uma chuva forte e esta água irá atrapalhar a captação, esses casos podem ocorrer nos locais onde as antenas precisam ser instaladas mais horizontalmente, mais deitadas, e a chuva tem que ser realmente pesada para conseguir acumular suficiente para atrapalhar, na antena, a captação do sinal do satélite.

A verdade é que o Dome Magic não é um produto para ser usado no Brasil, ele é um produto para uma condição climática especifica que dificilmente ocorre por aqui, que são áreas onde ocorrem baixas temperaturas com neve ou congelamento constante pelas condições climáticas.

A situação é a seguinte, a água só conseguirá ser o fator de interferência na antena parabólica, de fato, se ela se acumular alí e ficar depois que a chuva passar, funcionando como um atenuador de sinal, ou como um rebatedor do sinal recebido do satélite, levando o sinal a se focar em outro ponto que não dentro do LNB.

O primeiro caso, de ser um fator atenuador, ocorreria com a água em estado líquido, mas nesse caso as próprias nuvens entre o satélite e a antena já estariam barrando o sinal, ou seja, o problema maior ainda estaria ocorrendo nas nuvens, após a nuvem densa passar e chover tudo o que precisava, a antena também já teria conseguido escorrer a quantidade de água a mais que iria atrapalhar a recepção do sinal. No Brasil, com clima tropical e calor intenso na maior parte do território, além da posição de apontamento das antenas nos locais mais frios, logo entende-se que não seria grande problema.

Já em algumas localidades mais frias, como Canadá e alguns estados ao norte dos Estados Unidos, a situação é diferente. A antena parabólica fica exposta, nos meses mais frios, a temperaturas abaixo de zero, quando neva ou cai uma chuva, mesmo que seja fraca, qualquer quantidade de água que toca na antena tende a congelar e se acumular ali, formando uma camada de gelo. Quando o sol abre e consegue esquentar um pouco a antena, a camada de gele que derrete primeiro é a que está encostada na antena parabólica, já que o metal tende a trocar calor mais rápido com o ambiente.

A mágica do Dome Magic na antena parabólica é facilitar (incentivar) o gelo a não grudar na antena parabólica, em alguns casos quando ele começar a congelar a película criada pelo Dome Magic na antena irá dificultar o gelo a ficar grudado na antena parabólica, o gele então tende a cair sem ajuda de um fator externo.

No entanto, ele ainda poderá ficar lá na antena acumulado. Quem morou em um desses locais muito frios e com um clima bem específico, pode testemunhar a dificuldade que é, por exemplo, tirar a fina camada de gelo que acumula no parabrisas do carro, depois que já se tirou a neve que estava acumulada por cima da tal camada de gelo. Forma tipo uma película de gelo dura que precisa ser raspada e com muito esforço. O mesmo ocorre nas antenas parabólicas desses locais, que são antenas da chapa, na sua maioria do tipo offset.

É para estes casos especiais que foi inventado o Dome Magic.

Para chuvas de água molhada em locais quentes, efetivamente, não haverá grande vantagem em se usar o produto, será jogar dinheiro fora.

Na matéria do GPS.Pezquiza.com, sobre o Dome Magic, que citei acima, há um vídeo mostrando um instalador passando Dome Magic em uma antena parabólica Offset. LINK – https://gps.pezquiza.com/satelite/apontamento-banda-ku-dome-magic-e-o-liquido-magico-que-promete-melhorar-o-sinal-da-sua-antena-em-tempos-chuvosos-sera/

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