O que acontece com o satélite quando acaba sua vida útil?

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Recebi este questionamento esta semana sobre o que ocorre com o satélite ao final de sua vida útil.

De acordo com o regulamento da Comissão Federal de Comunicações, qualquer satélite em órbita geoestacionária, ou seja, que esteja a uma altitude de pouco menos de 36 mil quilômetros da Terra, deve ser movido para o mais longe da Terra no final de sua vida útil.

Há uma fórmula matemática complicada que determina o quão alto o satélite deve ser deslocado para alcançar uma órbita adequada, no entanto, a maioria dos satélites ao final da sua vida útil acabam sendo colocados a cerca de 300 km acima da órbita onde eles estavam.

Estes satélites são considerados detritos espaciais.

A cada ano aproximadamente 12 satélites são desativados, imagine então quanto detrito espacial está depositado acima dos satélites que se encontram operacionais.

Sempre há o risco de que estes satélites à deriva caiam de sua posição para uma que alcance algum satélite operacional pois eles podem sofrer influências do sol e da lua, tanto gravitacionais como eletromagnéticas. No entanto, este tipo de incidente não foi reportado pois as oscilações de altitude não tem sido muita grandes para os satélites desativados.

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No entanto, o problema que tem ocorrido com maior frequência são as explosões dos tanques de combustível e baterias destes satélites desativados.

Diversos satélites já explodiram em sua órbita de fim de vida e acabaram espalhando pequenos detritos em órbita, e estes pequenos detritos podem acabar derivando e caindo em algum satélite que esteja ativo ou ainda se chocando com algum veículo espacial lançado para missões no espaço.

Um dado bastante interessante e importante sobre a vida útil dos satélites é que, mesmo que o satélite esteja com seus componentes eletrônicos operacionais, se a quantidade de combustível que ele carrega chegar a um nível crítico que permita apenas que se façam manobras para colocar ele na posição em que ele deverá ficar ao ser desativado, ele deverá ser considerado como inativo e enviado para a posição de detrito espacial.

É claro que estamos falando sobre satélites de comunicação, já que existem outros satélites, como os satélites de GPS e de vigilância que estão em um órbita muito mais baixa que os 36 mil quilômetros de altitude dos satélites de comunicação e não são enviados para o cemitério de satélites que citamos acima.

Estes satélites mais baixos, ao fim de sua vida útil, tem previsão de caírem sobre a Terra daqui a alguns séculos ou até milênios.

No entanto alguns destes satélites já caíram na Terra, sendo que cerca de 10% a 40% da massa total destes satélites sobreviveu à reentrada na atmosfera terrestre.

As agências espaciais mantém catalogados e vigiados todos os detritos que se encontram em órbita. No ano 2000 uma nave espacial chinesa sofreu uma colisão com detritos de um foguete lançado pelos Estados Unidos em 1974, sendo que este acidente espalhou mais detritos em órbita.

Por enquanto este é o mais grave acidente entre objetos em lançamento a partir da Terra e detritos espaciais.